Setas e pedras

maio 29, 2026


Ser ou não-ser, eis a questão: será mais nobre
Em nosso espírito sofrer pedras e setas
Com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja,
Ou insurgir-nos contra um mar de provações
E em luta pôr-lhes fim? Morrer... dormir: não mais.
(Shakespeare, Hamlet, 1976, p.108)

O que é mais nobre...?, pergunta Hamlet, o personagem símbolo da modernidade europeia ocidental, mas também da Grécia Antiga ao retomar a antiga questão do ser grego, do ser cidadão grego, em outras palavras, do ser nobre grego na medida em que ser cidadão era fazer parte de uma certa nobreza guerreira aristocrata grega, posteriormente, romana e europeia ocidental. A questão do ser ou não-ser nobre de Hamlet, seja ele um representante dos gregos antigos ou dos europeus ocidentais modernos, ou ainda, de europeus ocidentais modernos tardios, pós-modernos ou contemporâneos, é uma questão moral como toda questão ontológica, ou seja, uma questão sobre a existência do ser que passa por meio da essência. Isto porque o que está em questão é a essência do ser em sua existência, questão antiga, desde a Ideia de Platão e Substância de Aristóteles, que é também europeia ocidental moderna desde o Cogito de Descartes e a Substância-Deus ou natureza de Spinoza até a Doutrina da essência de Hegel.


Se toda questão ontológica é uma questão moral é porque a essência do ser em sua existência é fundamento da existência, isto é, o que faz o ser existir. Que todos somos, isto é inegável. Que todos existimos também, por mais que haja dúvidas quanto a isto. Mas a questão é, como colocou Hamlet, o que nos faz ser ou continuar a ser e o que nos existir ou continuar existindo. Em outras palavras, o que nos faz decidir vivermos, continuarmos vivos, desejar, querer, ter vontade de continuar vivo, continuar a viver e desejar, querer, ter vontade de continuar a viver mesmo com as setas e pedras da Fortuna?

A decisão de viver, continuar a viver e desejar, querer, ter vontade de continuar a viver, bem entendido, não é natural, a não ser que consideremos como os europeus ocidentais modernos, como Spinoza, que há um desejo natural por viver, continuar a viver e continuar desejando, querendo, tendo vontade de viver ou perseverar no ser que é o conatus. Mas, para isso, é necessário pensarmos que o conatus é algo natural que todo ser vivo desde a criação de sua existência pelo deus judaico-cristão ou pela necessariamente de uma substância-deus ou natureza enquanto causa sui da existência, segundo a lógica e ontologia de Spinoza em sua Ética. Neste sentido, por mais natural que seja a origem da questão, a questão é onto-lógica em sentido ético segundo a Ética de Spinoza e moral segundo a teologia judaico-cristã, ou seja, que não é de nenhum outro ser a não-ser o humano em seu questionamento sobre a natureza ética no sentido de Spinoza e moralmente no sentido judaico-cristão.

A decisão por viver, continuar a viver e desejar, quer, ter vontade de continuar a viver é algo que somente o ser humano é capaz de tomar, ainda que outros seres vivos possam tomar esta decisão sem passar por ela, isto é, sem porem a questão a si mesmos como faz Hamlet e muitos antes deles, bem como muitos depois dele e independente de conhecer o personagem shakespeareano. É uma questão moral porque envolve, como coloca Hamlet, uma questão de nobreza que é uma questão cultural, pois toda cultura humana cria modos de viver, isto é, do ser humano viver, continuar a viver e desejar, quer, ter vontade de continuar a viver mesmo com todas as setas e pedras da Fortuna, ou seja, do acaso ou da ocasião. Toda questão onto-lógica é uma questão moral porque a moral é o fundamento da questão onto-lógica sem a qual a existência do ser não tem nenhum sentido, isto é, nenhuma essência, a vida, portanto, perderia o sentido.

Que a vida tenha uma essência é mais uma questão moral do que onto-lógica, pois é na essência que há o fundamento e o sentido da vida sem o qual o ser humano não vive ou existe, pelo menos em seu pensamento que não concebe e não aceita uma vida sem essência e sem sentido, isto é, uma vida de aparência e sem sentido, paradoxal ou absurda. A ausência de fundamento, de sentido, o paradoxo e o absurdo são negados, denegados e negados absolutamente pela onto-logia-moral do ser humano por meio de sua cultura que é o que o faz viver, continuar a viver e desejar, quer, ter vontade de continuar a viver. É a cultura o que determina o fundamento, o sentido, a doxa e a lógica da existência do ser humano, de seu viver, seu continuar a viver e seu desejar, quer, ter vontade de continuar a viver, por mais que a essência e o sentido da vida do ser humano seja negativo ou tremendamente negativo pensou Hegel.

A nobreza é a determinação da cultura sobre a natureza, seja grega antiga ou europeia ocidental moderna, e a determinação de qualquer outra cultura mais arcaica que a grega antiga e mais tardia, pós-moderna ou contemporânea da europeia ocidental moderna. É a nobreza que faz com que o ser humano aguente as setas que lhe são atiradas e as pedras que ou também lhe são atiradas ou são colocadas como obstáculos em seu caminho. Pensar no que é nobre é pensar no que fazer com as pedras e setas, em outras palavras, com os sofrimentos que aparecem pelo caminho e que não são poucos durante a vida, desde a descompressão por sair do útero materno e as luzes como setas a ferir os olhos até que nos acostumemos com elas por meio da cultura iluminista que vê nas luzes algo bom para o ser em sua existência desde os seres vegetais e que sem ela não existimos. E devemos nos acostumar com os sofrimentos, pois, não podemos ser felizes de verdade "sem jamais ter provado o sabor de qualquer sofrimento!" (Sófocles, Édipo Rei, 2002, p. 97, v. 1810), como disse Édipo, aquele que, antes de Hamlet, buscou um fundamento para a vida diante de todo o sofrimento de saber que iria matar o pai e desposar a mãe e ter filhos com ela e, depois, sofrer por saber que tinha feito isso mesmo tentando evitar que isso acontecesse.

A questão do ser ou não-ser colocada por Hamlet é a questão da nobreza em relação aos sofrimentos da vida, o que devemos fazer diante deles para ser, viver, continuar a viver, desejar, querer, ter vontade de continuar a viver, qual o fundamento e o sentido onto-lógico-moral da vida. Há dois modos de viver ou do que deve ser feito em sentido onto-lógico-moral segundo Hamlet. O primeiro é sofrer as pedras e setas da Fortuna, isto é, suportar o sofrimento como muitos fazem por princípios morais ou nobres, sobretudo princípios morais religiosos tal como judeus-cristãos, e em muitas outras religiṍes, mas também por princípios aristocráticos e guerreiros em muitas culturas e também princípio éticos em sentido estoico e no sentido do conatus de Spinoza entendido como perseverar passivamente por meio de um desejo natural diante de qualquer sofrimento imposto à vida. O segundo é se insurgir e lutar contra um mar de provações e em luta pôr-lhes um fim, isto é, agir contra os sofrimentos, fazer algo para parar de sofrer e impedir que alguns sofrimentos aconteçam. Em sentido onto-lógico-moral, trata-se de buscar um fundamento ou sentido para vida como fazem os aristocratas e guerreiros, os primeiros na riqueza e os segundos na guerra, fundamento e sentido que é um deus para os religiosos de todas as culturas por meio do qual suportam o sofrimento, neste caso, por crença e  através de alguma ação que eles façam por seu deus. A crença e fé religiosa, neste caso, não é o ópio do povo como pensava Marx, é mais a heroína que faz os religiosos agirem freneticamente e sem razão por temor e tremor como animais acuados como demonstrou Kierkegaard.

O primeiro modo de viver que é suportar o sofrimento das setas e pedras é inevitavelmente o que nos leva à morte por não suportarmos em determinado momento os sofrimentos da vida. Hamlet reflete sobre isso quando diz que "Morrer... dormir:...". A morte é o descanso eterno dos sofrimentos, o que quer dizer que se suportou todos os sofrimentos impostos pela Fortuna e não há mais o que sofrer. O sofrimento é sublimado na morte que é um "sono" para ele. Neste sentido, diz Hamlet em seguida "que rematamos com um sono a angústia/ E as mil pelejas naturais - herança do homem: Morrer para dormir..." Morrer é suportar todos os sofrimentos que um corpo e mente podem suportar de modo sereno como se dormisse e não sentisse mais nenhum sofrimento. A morte serena é a boa morte, isto é, a morte aceita como parte dos sofrimentos da vida impostos pela Fortuna como infortúnios, a morte aceita por Édipo em Colono ou Sócrates diante dos sofrimentos impostos pela velhice e também pela Fortuna, no caso, em relação ao seu julgamento. Aceitar o sofrimento e até mesmo a morte não quer dizer desejar sofrer, mas saber que o sofrimento e a morte são inevitáveis por ser mortal, isto é, destinado a morrer por deus ou pela natureza, pouco importa. 

Não há o que fazer, nenhuma decisão a tomar, a não ser adiar o sofrimento e a morte, negar, denegar e negar absolutamente um e outro no pensamento, o que seria já o outro modo de viver o sofrimento. Trata-se de acreditar e ter fé que o sofrimento vai acabar algum dia com a morte. Em outras palavras, se a morte é o último sofrimento imposto a vida do ser enquanto mortal, a morte é o fim de todo sofrimento. O problema é que pode haver sofrimento após a morte e ela não seja de fato um descanso para os sofrimentos, pois, em sono, podemos sonhar e sonhar com mais sofrimentos, como diz Hamlet respondendo ainda sua questão do ser ou não-ser:

Dormir... talvez sonhar: eis onde surge o obstáculo:
Pois quando livres do tumulto da existência,
No repouso da morte os sonhos que tenhamos
Devem fazer-nos hesitar: eis a suspeita
Que impõe tão longa vida aos nossos infortúnios.
Dormir, morrer, não é um problema se é o fim para os sofrimentos da vida. O problema é que não sabemos se a morte é de fato e verdadeiramente o fim para os sofrimentos da vida. Pode ser que, com a morte os nossos infortúnios tenham uma vida mais longa, permaneçam depois da morte e mesmo por causa da morte, no caso, por desejarmos morrer para nos livrarmos do "tumulto da existência". Há aqui um grande problema onto-lógico-moral e cultural colocado por Hamlet, pois, se a morte é o fim para o sofrimento, qualquer ser humano pode desejar morrer para se livrar dos sofrimentos, o menor "relho" que seja sem precisar suportá-los, pois:

Quem sofreria os relhos e a irrisão do mundo.
O agravo do opressor, a afronta do orgulhoso,
Toda a lancinação do mal-prezado amor,
A insolência oficia, as dilações da lei,
Os doestos que dos nulos têm de suportar
O mérito paciente, quem o sofreria,
Quando alcançasse a mais perfeita quitação
Com a ponta de um punhal?
(Shakespeare, Hamlet, 1976, p.108-9)
O problema moral é que qualquer ser humano pode se livrar do mal que causar ou sofrer com a morte. A morte, neste caso, é uma fuga para os problemas da vida. O que não é bom para nenhuma cultura, segundo nenhum costume e, sobretudo, para nenhuma religião, em outras palavras, para nenhum modo de viver, pois não é um modo de viver mesmo com todo sofrimento e, sim, um modo de não-viver devido o sofrimento da vida. Neste ponto, Édipo sabe muito bem disso quando deseja que Creonte o expulse de Tebas pelos crimes que cometeu em vez de seguir o "divino mandamento" em relação ao seu caso, que "é conhecido:/ mate-se o parricida, mate-se o impuro!" Édipo, por mais odiosos que tenham sidos seus crimes, não deseja morrer por causa deles. A morte é, para Édipo, se livrar do sofrimento. Édipo quer continuar a viver em ostracismo, sofrer "em um lugar onde jamais me seja dado/ falar a ser humano e ser ouvido". Édipo, por mais crimes que tenha cometido, é um nobre, é mais nobre de todos, um rei, aquele cujos males produzido devem ser pensados de modo diferente, algo que Creonte sabe, pois o rei é um dos representantes de deus na terra e matá-lo é matar um representante de deus. Neste sentido, Creonte não pode tomar essa decisão, ou não pode tomá-la sozinho, deve ouvir a deus por meio do oráculo para saber o que, pois, por ele, já teria feito o desejo de Édipo pelo ostracismo, que é a decisão, por fim, de Creonte depois de escutar a deus. A morte como maior sofrimento e infortúnio deve ser evitada segundo a crença e fé em deus, pois dar a si mesmo a morte ou dar a morte a alguém é ir contra a vontade de deus ou da natureza, somente deus ou a natureza pode permitir, justificar, ser o fundamento da sua morte ou da morte de outro. Neste sentido,

...Quem levaria fardos,
Gemendo e suando sob a vida fatigante,
Se o receio de alguma coisa após a morte,
- Essa região desconhecida cujas raias
Jamais viajante algum atravessou de volta -
Não nos pusesse atônita a resolução,
De preferência a voar para outros, não sabidos?
(Shakespeare, Hamlet, 1976, p.108-9)
Ora, o que faz pensar em algo pior sonhar com a "longa vida aos nossos infortúnios" é a crença e a fé que isto acontecerá se nos dermos a morte ou se dermos a morte a alguém. Em ambos os casos, é a crença e fé de que se fizermos isso, a morte não será boa, não será uma morte serena, uma morte permitida, justificada e fundamentada em última instância por um deus como fundamento de todo ser vivo. Será uma morte que prolonga os sofrimentos de tal modo que não podemos nem imaginar ou podemos imaginar da pior forma possível. Neste sentido, apenas ao imaginar ou sonhar que a morte pode prolongar o sofrimento, "o receio de alguma coisa após a morte", mesmo sem termos qualquer certeza disso, apenas acreditar ou ter fé que isso pode acontecer, já hesitamos em dar a morte a nós ou a outrem, e mais ainda quando as religiões nos fazem acreditar e ter fé que os piores males imagináveis virão com a morte ou por darmos a morte a nós mesmos ou a outrem. Também a onto-logia-moral nos faz acreditar nisso quando, segundo ela, a morte não tem fundamento, sentido, é um paradoxo e um absurdo diante da vida em si mesma, de tal modo que viver, continuar a viver, desejar, querer, ter vontade de continuar a viver é ainda o fundamento, o sentido, a doxa, o lógico, mesmo com todo sofrimento. E a ética, não simplesmente estóica e a de Spinoza, e, sobretudo, a epicurista antiga e a utilitarista moderna vão ser decisivas nestes ponto no sentido de "Morrer... dormir: não mais.", como diz Hamlet, ou no sentido de Édipo em ostracismo.

Não há fundamento, sentido, doxa e lógica em morrer... dormir para se livrar dos sofrimentos. Mesmo a morte enquanto modo de se livrar dos sofrimentos ainda traz algum sofrimento a mais, segundo a crença e fé moral, religiosa e mesmo ética. Desejar, querer, ter vontade de morrer, dormir, de um sono eterno não é algo nobre a ser feito, nem a si e nem a outro, algo digno de nobreza, não é uma boa morte, uma morte serena, que põe fim ao sofrimento por ordem de deus ou da natureza. A morte somente é boa quando não é um desejo, um querer ou uma vontade do ser humano, ou seja, quando é um desejo, querer ou vontade de deus ou da natureza. O ser humano não é digno de dar a morte a si ou a outrem, ele não tem esse poder. Arrogar para si este poder é ser indigno para deus ou para a natureza e, neste sentido, fazer sofrer a si mais do que imagina com a morte. A sua morte e a morte de outrem pode ser um descanso para si, um sono sereno, tranquilo, mas não é eterno segundo a crença e a fé, ou ainda, segundo a incerteza que a morte traz em si por não saber o que acontecerá depois dela.

Há dois modos de viver mesmo com as setas e pedras no caminho. Suportar os sofrimentos e lutar contra eles para pôr-lhes fim, contudo, não um fim que seja a morte, pois esta prolonga os sofrimentos. Há sempre segundo a crença e fé um sofrimento a mais com a morte dada a si ou a outrem. Somente se pode dar um fim ao sofrimento no modo de viver cultural, religioso, onto-lógico-moral como fundamento, essência e sentido do viver, do continuar a viver e do desejar, querer e ter vontade de continuar a viver, pois é por desejo, querer e vontade de deus ou da natureza. Contudo, este segundo modo de viver somente nos livra dos sofrimentos futuros, não dos presentes.

Não podemos nos livrar dos sofrimentos presentes, eis a questão do ser ou não-ser, ou ainda, a questão do ser, pois a do não-ser é descartada seja por Hamlet seja por todas as culturas, costumes, religiões, onto-logias morais e éticas do ser para os quais o não-ser ou não pode ser pensado ou não deve ser pensado por "ser" sem fundamento, sentido, um paradoxo, um absurdo ou, como diria Hegel, uma contradição ou negação absoluta do Ser absoluto em seu "Espírito" santo absoluto. Não há, em sentido onto-lógico-moral e mesmo ético o não-ser, somente o ser, somente a decisão por ser, por viver, continuar a viver, desejar, querer, ter vontade de continuar a viver mesmo com todo sofrimento. É o sofrimento que faz com que imaginemos o não-ser, o não-viver, não continuar a viver, não desejar, não querer, não ter vontade de continuar a viver, como, de certo modo, pensou Schopenhauer e também Nietzsche que aprendeu com ele e, mais ainda, com Sófocles, que não há felicidade sem sofrimento, nem mesmo a felicidade paradisíacas das culturas e religiões imaginadas como fim de todo sofrimento se o ser humano obedecer a deus ou a natureza.

Se, por fim, a meta é a morte enquanto sofrimento final para o ser humano e todo ser vivo que somente escapa do sofrimento na morte por deus ou pela natureza, o ser humano, "Mas o alvo, na certa, não te espera!", como diz Moska, o mais filósofos dos compositores atuais. Se o ser humano é destinado ao sofrimento e à morte por deus ou a natureza como alvo das setas e pedras da Fortuna divina, ele, porém, não espera o sofrimento, se desvia dele, busca ter prazer em vez de sofrer, não importa quantas setas e pedras deus ou a natureza ou qualquer ser humano atire nele para o fazer sofrer. O sofrimento é inevitável, mas o prazer também, pois é necessário o prazer para não sofrer mais do que já sofremos. Quando mais prazer, segundo os epicuristas e utilitaristas, menos sofrimento, mas para aqueles o prazer maior é a amizade enquanto para estes é o capitalismo e a esquizofrenia

Fiquemos, portanto, com os epicuristas, pois ter um amigo é melhor do que mil, milhões e mesmo bilhões de "amigos" e dinheiro dados pelo capitalismo nas redes sociais para nos livrar dos nossos sofrimentos cotidianos. Escutemos Moska e pensemos em todos aqueles seres humanos que são setas e pedras que se atiram para nós como alvos de suas metas e nos desviemos deles e de suas metas.


 

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