O ópio do povo e o espírito do capitalismo
A afirmação de Karl Marx de que "a religião é o ópio do povo" em sua Crítica da filosofia do direito de Hegel e a relação estabelecida por Max Weber entre "A ética protestante e o 'espírito' do capitalismo" não são opostas como geralmente se diz, a primeira como uma visão negativa e a segunda como uma visão positiva da relação da religião com a economia política. Ambas são as duas faces religiosas da economia política capitalista, ou do capitalismo, cujo judaísmo, podemos dizer, é sua única face das duas e do capitalismo, pois não podemos descartar a relação tradicional do judaísmo com a economia política ainda mais com a visão sionista atual do judaísmo na economia política a partir, por meio e em Israel. Mais ainda, não podemos ver e confundir a relação do judaísmo sionista com a economia política de Israel e do mundo com a relação do judaísmo antes de ser dado ao judaísmo uma "terra prometida" econômica e politicamente capitalista depois do holocausto judeu produzido pelos nazistas, pois, a relação tradicional do judaísmo com a economia política, antes mesmo do capitalismo, é como vítima de uma economia política do Estado, sobretudo do Estado cristão católico europeu, depois protestante, e a relação moderna, quiçá pós-moderna, do judaísmo sionista com a economia política de Israel é de opressor como Estado judeu propriamente dito.
O que se coloca a partir de Marx e Max, isto é, de Marx e Weber não é uma oposição de religiões e suas relações com a economia política, mas uma relação indireta e direta da religião com a economia política no caso do catolicismo e do protestantismo, e indireta e direta do judaísmo, primeiramente de modo tradicional como vítima e, em segundo lugar, como opressor, que corresponde senão às relações indiretas e diretas do cristianismo católico e protestante, pois, no primeiro caso, os cristão são vítimas do capitalismo e, no segundo, são os opressores capitalistas. Mais ainda, indireta e direta, demonstra que a relação da religião com a economia política atualmente capitalista não é uma relação inocente, como se a religião não fizesse parte, fosse neutra no capitalismo, livre de punições políticas em sua expressão religiosa e livre de tributação em suas ações econômicas no caso dos templos. Indireta e diretamente, não há neutralidade econômico política das religiões, pois sempre fizeram parte da economia política dos Estados, ou mesmo antes deles, como vítimas ou opressoras, e são elas que fundamentam ou fundam a economia política do Estado.
Como ópio do povo, as religiões sempre foram um meio de fundamentar uma economia política, no caso, um meio indireto, como se não fizesse parte e fosse tão vítima como os pobres que sofrem com a economia política do Estado, e mesmo da cidade-Estado grega e do um Império romano antes do Estado em sua concepção europeia ocidental moderna comum atualmente. Como "ética", ou melhor dizendo, moral, as religiões fundaram as trocas econômicas e políticas por meio de alianças que sempre tiveram, em contrapartida, como fundamento a religião por meio do dom como dádiva religiosa, o que é doado ou dado por um deus a alguém e é trocável pelo que é d(o)ado a outro pelo mesmo deus ou por outro. É um deus mitológico que regula as trocas econômicas políticas e a guerra de gregos e troianos demonstra isso de certo modo, o que é dado por um deus, Zeus, mas também por outros deuses, Ares e Atenas, a troianos e gregos, mas os gregos são aqui apenas a expressão mais comum de relações de trocas econômicas e políticas mais antigas como demonstram sociólogos e antropólogos, principalmente a partir de Marcel Mauss em sua análise sobre o dom nas relações de trocas econômicas e políticas em povos e sociedades tradicionais antes de qualquer cidade-Estado grega, império romano ou Estado europeu ocidental moderno.
Pensar que a religião em sua expressão religiosa política e econômica não tem relação com a economia política de um povo e sociedade, de uma cidade-Estado, de um império e com o Estado propriamente dito, que a religião é simplesmente livre de qualquer participação na economia política do povo de uma sociedade do Estado é uma visão inocente demais que não podemos ter atualmente. A religião não é o território neutro de um templo dentro do Estado capitalista. A religião é o que funda e fundamenta o capitalismo desde o surgimento do Estado europeu ocidental moderno e da colonização de terras indígenas ameríndias e africanas pelos Estados europeus ocidentais.
Como ópio do povo, indiretamente a religião cristã principalmente católica alimenta a pobreza daqueles que são vítimas do Estado capitalista europeu ocidental moderno e além da Europa Ocidental, no caso, em todo o mundo e fundamenta indiretamente cada vez mais a economia política do Estado capitalista. Como ópio, o cristianismo adormece as pessoas para seus problemas econômicos políticos dos Estados capitalistas, impede que elas se revoltem contra suas condições de miséria produzidas pela economia política dos Estados capitalistas, continuem vivas por meio de uma economia biopolítica dos Estado capitalista. Não se pode negar o benefício da religião como ópio do povo para o povo ao fazer esquecer e, deste modo, suportar seus problemas econômicos políticos no Estado capitalista, contrário ao que pensava Marx, mas também não podemos negar o malefício da religião por simplesmente fazer o povo suportar seus problemas, por ser uma solução apenas ilusória para eles, por ser uma solução indireta dos problemas de um povo na economia política do Estado capitalista ao prometer às pessoas de um povo uma vida em outra vida, como Marx pressupôs. Em outras palavras, o malefício de dizer que esta vida já está perdida em pecado, que esta vida é um sacrifício para outra vida na qual se poderá ter a riqueza econômica política que não tem nesta vida, "riqueza" que não foi dada pelo deus cristão a todos, apenas a alguns que exibem suas riquezas bilionárias até na economia política do Estado capitalista dizendo que "Foi deus que me deu.", é uma "terra prometida", no caso, milhares de hectares de terra, e mesmo o mundo dado por deus para eles irem e virem de qualquer parte em jatinhos luxuosos e farras luxuosas como os bilhões em dinheiro que deus deu para eles, para um 1% das pessoas no mundo capitalista e nega a 99% de vagabundos, como dizem os que detém o 1%.
Como espírito do capitalismo, a religião cristã, principalmente protestante, alimenta a própria economia política do Estado capitalista e nega alimento à maioria das pessoas, neste último caso, principalmente evangélicos que são contra dar comidas ao pobres, contra alimentar pessoas que, segundo eles, não querem trabalhar, vagabundos que querem ser sustentados pela economia política do Estado capitalista. Neste caso, a religião cristã, principalmente protestante-evangélica, age diretamente na economia política do Estado capitalista como opressora ao defender que as pessoas pobres sejam mortas ou deixadas morrer de fome por uma economia necropolítica. A religião cristã protestante-evangélica funda a economia política do Estado capitalista ao valorizar mais o trabalho do que a vida das pessoas na economia política do Estado capitalista. No caso, valorizam o trabalho infantil, o trabalho escravo, o trabalho explorado por quase um dia inteiro e 7 dias na semana sem folga na economia política do Estado capitalista mais do que a vida de quem trabalha, e menos ainda a vida de quem não trabalha. Não é uma "ética" que é o espírito do capitalismo neste caso, como pensava Weber, é uma moral que obriga a trabalhar, a trabalhar mais e sempre mais e fazer do trabalho mais importante do que sua vida e do que a vida de outros, que faz negar a sua vida e a vida de outros, que faz a pessoa, enfim, se sacrificar e se matar de tanto trabalhar, bem como sacrificar e matar outros que trabalham e são seus concorrentes, ou que não trabalham e que vivem do seu trabalho e que não quer que vivam dele. O "espírito" do capitalismo é a moral do "ego" de uma pessoa em seu "egoísmo" por trabalhar, por fazer do trabalho um privilégio ou status seu e apenas seu, que faz do trabalho algo voltado apenas para si, para sua riqueza pessoal e para aqueles que, como ele, são ricos pelo trabalho, algo que deus o deu, no caso, por seu esforço ao trabalhar desde criança. Mas também por não trabalhar e, sim, por dar trabalho escravo ou explorado em muitas horas de trabalho por dia e 7 dias da semana a crianças, jovens, adultos e até mesmo velhos sexagenários de todas etnias, raças, gêneros e sexualidades para que seu espírito egoísta seja visto como "altruísta", para que o sacrifício de sua vida desde criança por causa da economia política do Estado capitalista seja o sacrifício de outras vidas desde criança e assim a economia política do Estado capitalista progrida e seja cada vez mais próspera.
O que se coloca do ponto de vista indireto e direto, respectivamente, na relação da religião cristã católica e protestante evangélica com a economia política do Estado capitalista é, de certo modo, a relação do judaísmo com a economia política do Estado capitalista. Por um lado, do judaísmo tradicionalmente como vítima cuja relação com a economia política do Estado é a de uma minoria sem direitos econômicos e políticos, e mesmo quando tem são lhes tirados dependendo da economia política do Estado capitalista antes mesmo do Estado capitalista do socialismo nazista alemão, assim como é tirado dos pobres e trabalhadores os direitos econômicos e políticos dependendo do governo do Estado capitalista e eles são sustentados em sua pobreza pelo ópio cristão católico. Neste sentido, o judaísmo tradicional é o ópio do povo tanto quanto o cristianismo católico que mantém os judeus vivos à espera de uma terra prometida por deus que não é necessariamente um Estado, Israel, mas qualquer Estado em que se sintam seguros, que tenham seus direitos econômicos e políticos assegurados, e possam viver sua vida como qualquer pessoa de outra religião de um povo em etnia e raça em gênero e sexualidade. O judaísmo tradicional fundamenta indiretamente a economia política do Estado capitalista como parte minoritária dele ao manter vivas as pessoas que trabalham para se manter viva economia biopolítica do Estado capitalista.
Por outro lado, do judaísmo sionista como opressor em sua relação com a economia política do Estado capitalista de Israel e seus aliados enquanto maioria que oprime a minoria palestina e muçulmana econômica e politicamente, mas principalmente militarmente, por movida pelo egoísmo econômico político de vingança do Estado capitalista que se expande em vingança a outros Estados do mundo que sejam aliados da Palestina. Neste caso, a religião judaica sionista funda a maioria econômica política do Estado capitalista, no caso, o Estado de Israel, mas também de outros Estados capitalistas aliados, e que tira o direito econômico político de uma minoria, no caso, de palestinos por vingança, mas também por estarem numa "terra prometida" pelo deus judaico e pelos Estados capitalistas aos judeus, não apenas sionistas e não necessariamente o Estado de Israel, mas todo e qualquer Estado capitalista aliado de Israel como terra prometida aos judeus, ou ainda, o mundo todo, isto é, a Terra como terra prometida pelo deus judaico aos judeus sionistas ou não. A religião judaica sionista, neste caso, funda a economia política do Estado capitalista de Israel, mas também de todos os Estados aliados de Israel e do mundo econômico político capitalista contra todos que são vistos como inimigos dos judeus, no caso, dos judeus sionistas, mas que eles estendem a todos os judeus como vítimas de antissemitismo no mundo.
Seja cristã católica ou protestante-evangélica, seja judaica tradicional ou sionista, a questão que se coloca é que a religião age indiretamente e diretamente na economia política do Estado capitalista, seja no sentido de uma economia biopolítica que valoriza a vida mais do que o trabalho, para a qual o trabalho é um sacrifício necessário para garantir a riqueza em outra vida, seja no sentido de uma economia necropolítica que desvaloriza a vida e valoriza mais o trabalho, para a qual o trabalho é meio necessário para garantir a riqueza nesta vida, mesmo que o trabalho seja de uma criança e mesmo que seja um trabalho escravo ou um trabalho explorado durante todo o dia e 7 dias na semana, ou ainda, um trabalhe que apenas se dê como trabalho escravo e explorado, e não se trabalhe, que seja a valorização do trabalho de outro para si. Sobretudo, atualmente, a questão é que a religião indireta e diretamente fundamenta e funda o território econômico político do Estado capitalista e, dependendo da religião, outras religiões são oprimidas na economia política do Estado capitalista, como as religiões indígenas e de matrizes africanas são oprimidas pelo cristianismo católico e protestante evangélico de algumas Igrejas no Brasil, e a religião islâmica da maioria palestina em Gaza e em Israel, assim como são oprimidos econômica e politicamente aqueles que sofrem com a economia capitalista do Estado e busca na religião sua única salvação em vida e morte como ópio ou espírito salvador.

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